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Incerteza sobre o mercado de trabalho durante a pandemia de covid-19

Por: Hangel Garcia, Jorge Pacheco, Larissa Vasconcelos, Maicon Schlosser, Paloma Souza

A pandemia de covid-19 afetou a vida das pessoas de diversas formas, inclusive seus empregos. A coordenadora do Departamento de Relações com Mercado de Trabalho da Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (FGTAS), Ana Rosa Fischer, conta que, nos meses de abril, maio e junho de 2020, ocorreram muitas demissões em nível estadual, de trabalhadores na faixa de 30 a 40 anos. Também não foram registradas novas contratações, conforme a coordenadora. Além disso, segundo ela, ocorreu precarização do trabalho, com redução de jornadas, suspensão de contratos e flexibilização dos direitos trabalhistas. Somente de julho até agora que as contratações foram retomadas, mas essa situação ainda está muito abaixo do montante de demissões que ocorreram, de acordo com Ana.


Para os recém formados, que estão saindo para o mercado de trabalho agora, principalmente em meio à pandemia, os medos e anseios são grandes. Para o formando de Publicidade e Propaganda, Douglas Siqueira, o medo de formar-se e acabar ficando desempregado é grande, principalmente na região em que mora, que possui poucas oportunidades de emprego na área e que são muito disputadas. Por isso, Siqueira vê no empreendedorismo uma opção de sustento, buscando aplicar os conhecimentos adquiridos na faculdade no próprio negócio. Um dos empecilhos que Siqueira vê no mercado de trabalho é a necessidade de experiência, muitas vezes exigida pelos empregadores.



A ausência de experiência também é uma preocupação da formanda de Licenciatura em Química, Dayane Xavier. Para Dayane, a melhor forma de destacar-se na área é através de um mestrado e doutorado, pois as expectativas sobre a profissão estão baixas no momento



Setor da comunicação e as contratações


No ano passado, o cadastro geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostrou que o setor de comunicação terminou o ano com saldo positivo, entre demissões e contratações. Mas os números do setor jornalístico não são animadores, já que fecharam o ano com saldo negativo. A área da televisão teve 4.722 contratações e 7.026 demissões, terminando o ano com saldo de saldo -2.304. Já o rádio teve 4.124 contratações e 6.389 demissões, terminando o ano com saldo de -2.265.


Para o responsável pela redação integrada da RBS, composta pelo impresso Zero Hora, do Diário Gaúcho, do Pioneiro de Caxias, e pela Rádio Gaúcha e o portal Gaúcha ZH,Nilson Vargas, os pré-requisitos de um profissional a ser contratado variam muito, dependendo da área em que este vai atuar. Contudo, ele destaca que há necessidade de profissionais polivalentes, que conheçam todos os processos da redação.

"Tu não vais fazer tudo ao mesmo tempo agora, mas conhecer e entender os processos, entender as ferramentas. Entender que o processo de integração das redações é muito real hoje em dia é importante para que tu estejas bem posicionado para aproveitar as oportunidades”, comenta.

Essa necessidade de profissionais polivalentes também é exigida nas empresas jornalísticas de cidades menores, como explica o diretor da Rádio Fandango, de Cachoeira do Sul, Pedro Ricardo Germano.



Vargas explica que há espaço para profissionais especializados em uma área, mas que isso implica em uma procura maior por emprego, já que há menos vagas. Quanto aos tipos de especialização, como mestrado, Vargas afirma que:

“não é um pré-requisito indispensável, pode ser um mestrado, mas, hoje em dia, tu tens muito mais possibilidade de aprendizado paralelo à tua graduação em áreas como redes sociais, ferramentas digitais de edição, publicação, em conteúdos ligados à audiência digital. O ponto só é a gente não achar que só a graduação, só aquilo que está ali no quadradinho da aula, na interação com o professor, possa ser o suficiente, entende. Aí tem uma coisa que parte da iniciativa de cada um e que vai determinar os diferenciais dos profissionais”, completa.

Além dos profissionais da área de jornalismo, são contratados pela redação integrada da RBS designers, diagramadores ou infografistas, arte finalistas e, às vezes, empresas terceirizadas para atuar na área de programação.

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