Evasão não aumenta, mas desafios do ensino remoto preocupam professores e estudantes
- jornalunipampa2019
- Apr 12, 2021
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Updated: May 6, 2021

Por Ana Isabel da Silva, Gabrielli Almeron, Kimberlin Valerio, Maria Fernanda Garcia e Pâmela de Lima
A Universidade Federal do Pampa, localizada no interior do Rio Grande do Sul, na região da fronteira e campanha, recebe, todos os anos, acadêmicos de diversos pontos do Brasil. O campus de São Borja, no ano de 2020, contava com 1.136 alunos matriculados na graduação e pós-graduação. De acordo com o relatório de gestão 2020 e planos de ação de 2021 para o campus São-Borja da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), em 2019, foram registrados 61 trancamentos de matrículas em cursos de graduação e pós-graduação. Já no ano de 2020, o total foi de 62 casos. Não ocorreu, então, ampliação das taxas de evasão. Contudo, professores e alunos relatam benefícios e prejuízos do sistema de aulas remotas, que vem funcionando há mais de um ano, em função da pandemia.
Muitos alunos optaram por continuar ou começar a graduação de forma remota. Esse é o caso da brasiliense Yngrid Duarte, que, atualmente, cursa o segundo semestre do curso de Jornalismo, na Unipampa, de forma totalmente remota. A universitária conta que escolheu ingressar na instituição por vários fatores, mas, entre eles, está o fato de sair da sua zona de conforto. “Eu queria ir para uma região que eu não tivesse conhecimento de nada. Eu queria ter esse contraste cultural, para meu crescimento pessoal, como pessoa. Eu sabia que isso ia me acrescentar muito, sair do casulo”.
Yngrid chegou a se mudar para a cidade de São Borja, no início de 2020, quando a pandemia ainda não tinha começado no Brasil, permanecendo na cidade por um período. Ela comenta que sentiu o impacto da mudança, principalmente na questão linguística e nos hábitos alimentares. Embora, no primeiro momento, a adaptação seja mais complicada, Yngrid ressalta que tudo é aprendizado. “Mas a gente sente esse impacto, mas correlacionado à confortabilidade que a gente sente dentro das coisas que a gente conhece. Indo para lá, tem essas coisas que a gente sente desconfortável, mas é um aprendizado, uma escadinha que a gente vai aprendendo, uma coisinha ali e outra coisinha aqui”.
Durante o tempo que morou em São Borja, a estudante trabalhou. Segundo ela, “as pessoas, assim como eu, que não têm assistência econômica da família, é bem difícil. É bem complicado a pessoa se virar para ter o que comer, para conseguir transporte. Eu sei que a universidade, ela tem o auxílio, tudo mais. Mas esse auxílio não dá para tu viveres, então tu tens que se virar nos trinta”.
No ano de 2020, a Assistência Estudantil da Universidade Federal do Pampa, Campus São Borja, totalizou 282 alunos beneficiados com o Programa de Bolsa Permanência - PBP. Os dados estatísticos têm referência no PBP do mês de agosto.
Este sonho por uma vida acadêmica e independente, leva muitos jovens a optar por uma graduação longe de casa e da família. A graduanda do quarto semestre de Jornalismo, Ana Júlia Pereira, natural de Limeira, São Paulo, veio para a cidade de São Borja, em 2019, para realizar esse sonho. Segundo Ana Julia, mesmo com a brusca mudança de rotina e de cultura, ela foi conquistada pela universidade e pela cidade. Com a pandemia, a estudante teve que retornar à sua cidade natal. Ela comenta os pontos negativos e positivos da graduação de modo remoto.

A estudante Pyetra Silva, natural da cidade de Uruguaiana-RS, conquistou em 2019 a sonhada vaga na Universidade Federal de Santa Maria - UFSM, no curso de engenharia civil. Diante da pandemia, Pyetra teve que retornar para a casa dos pais e revela ter um sentimento de incertezas, por não saber quando vai retornar para a universidade presencialmente. A acadêmica comenta que, apesar de conseguir fazer muitas coisas no ensino a distância, sente uma carência das aulas práticas e de poder conhecer mais sobre o curso. Com a chegada da pandemia, não foi possível usufruir de todos os recursos que a Universidade disponibiliza aos estudantes dos cursos de engenharia. A estudante de engenharia civil Pyetra Silva.
O Jornal Universitário realizou uma consulta popular, com o intuito de coletar informações referentes às expectativas e dificuldades encontradas por acadêmicos, na cidade de São Borja. Total de 75 pessoas participaram, através de um formulário do google, que foi disponibilizado no facebook e em grupos do facebook em que alunos da Unipampa participam. Os resultados da pesquisa estão no infográfico abaixo.

Infográfico: Ana Isabel da Silva
A cidade de São Borja, apesar de ser escolhida como local para a realização da graduação, não tem atrativos relacionados ao mercado de trabalho para os estudantes, que, por este motivo, e pelo custo de vida significativo, acabam regressando ou mudando-se para novas cidades, assim que terminam o curso superior, em busca de novas oportunidades para carreira profissional.
Mudanças Motivadas pelos Fatores Econômicos
A pandemia interferiu na rotina dos brasileiros de diferentes formas e as questões relacionadas a fatores econômicos, por exemplo, foram intensificadas. O Índice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M) fechou o ano de 2020 com a inflação do aluguel em 23,14%.O IGP-M é medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), sendo usado como o principal indicador para reajustes.
Os estudantes de graduação foram afetados diretamente por essa situação. Com as aulas paradas presencialmente, foi preciso negociar os valores dos contratos de aluguéis e, em alguns casos, encerrar o contrato de moradia, como é o caso da estudante Ana Júlia. Segundo ela, devido a uma situação financeira delicada, optou por entregar o apartamento que morava na cidade do Campus, retornando à sua residência. A universitária comenta que, com a possibilidade de trabalhar em São Paulo, não foi preciso trancar o curso. Ela fala mais sobre essa questão.
Já Pyetra conta que optou por continuar com o aluguel do apartamento em Santa Maria. No entanto, está desde março de 2020 morando em Uruguaiana, junto com os pais. Segundo Pyetra, ocorreu a diminuição no valor do aluguel, mas ela ressalta o fato de estar gastando com uma segunda moradia, sem poder utilizá-la.
A Graduação Antes da Pandemia
A turismóloga e empresária Wynne Farias, cursou e concluiu a graduação de forma presencial. Natural de São Paulo, mudou-se para a cidade de Santa Vitória do Palmar, no extremo sul do Rio Grande do Sul, em 2015, para realizar a graduação de Bacharel em Turismo Binacional. Ao longo da graduação, Wynne encontrou dificuldades para se adaptar à estrutura da pacata e pequena cidade. A saudade de casa e da família foi um fator importante neste processo de adaptação e a turismóloga declara que por esse motivo, pensou várias vezes em desistir da graduação.
Após a colação de grau, em 2018, Wynne voltou a morar com os pais na cidade de São Paulo. Segundo ela, houve muita dificuldade para ingressar no mercado de trabalho, de maneira que demorou cerca de quatro meses para conseguir um emprego no segmento de hotelaria, que logo percebeu não ser sua área de interesse. À vista disso, Wynne optou por criar uma empresa de agenciamento de viagens, juntamente com uma amiga. No entanto, no momento atual, a empresária encontra diversas dificuldades para a realização de suas atividades, devido à pandemia de Covid-19, que afetou diretamente o mercado de turismo nacional e internacional, por conta do distanciamento social aplicado em todo o mundo. Com a empresa, Wynne aborda o planejamento e gestão de turismo para turismólogos. Ela comenta mais sobre a questão no vídeo a seguir.


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